Reflexão sobre o texto Sino de ouro de Rubem Braga




Rubem Braga tinha grande facilidade de observar o cotidiano e escrever belas crônicas a respeito da realidade humana. Num dos seus escritos, o cronista se refere ao sino de ouro de uma pequenina cidade do interior de Goiás. O texto é mais ou menos assim (cito de memória): 

“Contaram-me que no fundo do sertão de Goiás, num povoado de poucas almas, as casas são pobres, os homens pobres, e muitos são doentes e indolentes. Mesmo a igreja de lá é pequena. Mas me contaram que ali tem uma coisa bela e espantosa, um grande sino de ouro. 
É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde, seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas, os serrados, as veredas de buritis e a melancolia do chapadão, chegando ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos. O som do sino de ouro dá a cada um daqueles homens pobres a sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos, e de todos os sons que fogem do mundo em procura de Deus — gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, murmúrios temerosos e agônicos das grandes cidades — Deus, com especial delicia e alegria, ouve o som do sino de ouro perdido no fundo do sertão. Então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente, o mais humilde, o mais mesquinho e triste tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro”. Não importa qual seja a nossa condição, nós temos algo dentro de nós que vale muito mais que um sino de ouro, ecoando em todos os momentos de aparente injustiça da vida, em todos os momentos de charco e lamaçal, em todos os momentos dolorosos e absurdos da existência. Temos dentro de nós muito mais do que o som do sino de ouro que louva a Deus. Temos dentro de nós o Espírito do próprio Deus que é louvado pelo sino de ouro. 

Autor: Pr. Carlos Novaes

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